No ano passado, foi lançada a "Semana Paulista de Mobilização Contra a Sífilis", pela Comissão Intergestora Bipartite (CIB) do estado de São Paulo. A data é celebrada, anualmente, na última semana do mês de abril. A iniciativa tem por objetivo conferir maior visibilidade à doença e, em especial, somar esforços de gestores e trabalhadores do SUS-SP para a eliminação da sífilis congênita e controle da sífilis adquirida. Para celebrar a data, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e a equipe do Núcleo de Apoio a Saúde da família (NASF) do Município de Ouroeste, receberam treinamento através da Articuladora Estadual de Saúde, Eunice Silva, e realizaram diversas atividades de orientação nas UBS, grupos de gestantes e realizaram teste rápido, para diagnóstico, nas salas de espera das UBS. A sífilis congênita ainda apresenta taxas elevadas e necessita de maiores esforços para atingir valores próximos de sua eliminação. Em 2015, no Brasil, foram notificados 19.228 casos de sífilis congênita em menores de 1 ano de idade, sendo 43% residentes na região Sudeste. No estado de São Paulo, no mesmo ano, foram notificados 3.437 casos, que correspondeu a uma taxa de incidência de 5,4 casos por mil nascidos vivos. A taxa de incidência aumentou quatro vezes, quando comparados os anos 2009 e 2015 (de 1,4 para 5,4 casos/1000 NV). Do total de casos do Estado, 10% (N=354) foram abortos, natimortos e óbitos por sífilis congênita. O município de Ouroeste teve 1 caso confirmado, em gestante, em 2012, 1 caso em 2013, 1 caso em 2014 e 2 casos em 2015. Em 2016, teve 2 casos confirmados de Sífilis não especificada. Para Daniela santos, Secretária Municipal de saúde de Ouroeste, é preciso força intensa dos profissionais da Saúde e um processo de orientação profissional para diminuir os casos, pois em muitas vezes poderiam ter sido evitados com um diagnóstico e tratamento prévio. “Se a gestante e seu parceiro não forem tratados corretamente, a sífilis será transmitida para o recém-nascido, podendo causar complicações para a criança” Lembrou que a sífilis congênita é um agravo totalmente prevenível e com medidas de baixo custo. De acordo com Leise Barreto, Diretora da Atenção Básica do Município de Ouroeste, o diagnóstico de sífilis na gestação é primordial para enfretamento da doença. “O teste rápido para sífilis deve ser realizado na primeira consulta de pré-natal. Se a gestante e o parceiro forem diagnosticados, o tratamento deve ser iniciado imediatamente. Somente com o diagnóstico e o tratamento corretos evitaremos a transmissão ao bebê e eliminaremos a sífilis congênita”.
O que é sífilis?
É uma doença infecciosa causada pela bactéria Treponema pallidum. Podem se manifestar em três estágios. Os maiores sintomas ocorrem nas duas primeiras fases, período em que a doença é mais contagiosa. O terceiro estágio pode não apresentar sintoma e, por isso, dá a falsa impressão de cura da doença. Todas as pessoas sexualmente ativas devem realizar o teste para diagnosticar a sífilis, principalmente as gestantes, pois a sífilis congênita pode causar aborto, má formação do feto e/ou morte ao nascer. O teste deve ser feito na 1ª consulta do pré-natal, no 3º trimestre da gestação e no momento do parto (independentemente de exames anteriores). O cuidado também deve ser especial durante o parto para evitar sequelas no bebê, como cegueira, surdez e deficiência mental.
Formas de contágio
A sífilis pode ser transmitida de uma pessoa para outra durante o sexo sem camisinha com alguém infectado, por transfusão de sangue contaminado ou da mãe infectada para o bebê durante a gestação ou o parto. O uso da camisinha em todas as relações sexuais e o correto acompanhamento durante a gravidez são meios simples, confiáveis e baratos de prevenir-se contra a sífilis.
Sinais e sintomas
Os primeiros sintomas da doença são pequenas feridas nos órgãos sexuais e caroços nas virilhas (ínguas), que surgem entre a 7 e 20 dias após o sexo desprotegido com alguém infectado. A ferida e as ínguas não doem, não coçam, não ardem e não apresentam pus. Mesmo sem tratamento, essas feridas podem desaparecer sem deixar cicatriz. Mas a pessoa continua doente e a doença se desenvolve. Ao alcançar um certo estágio, podem surgir manchas em várias partes do corpo (inclusive mãos e pés) e queda dos cabelos.
Após algum tempo, que varia de pessoa para pessoa, as manchas também desaparecem, dando a ideia de melhora. A doença pode ficar estacionada por meses ou anos, até o momento em que surgem complicações graves como cegueira, paralisia, doença cerebral e problemas cardíacos, podendo, inclusive, levar à morte.
Sífilis congênita
É a transmissão da doença de mãe para filho. A infecção é grave e pode causar má-formação do feto, aborto ou morte do bebê, quando este nasce gravemente doente. Por isso, é importante fazer o teste para detectar a sífilis durante o pré-natal e, quando o resultado é positivo, tratar corretamente a mulher e seu parceiro. Só assim se consegue evitar a transmissão da doença.
Sinais e sintomas
A sífilis congênita pode se manifestar logo após o nascimento, durante ou após os primeiros dois anos de vida da criança. Na maioria dos casos, os sinais e sintomas estão presentes já nos primeiros meses de vida. Ao nascer, a criança pode ter pneumonia, feridas no corpo, cegueira, dentes deformados, problemas ósseos, surdez ou deficiência mental. Em alguns casos, a sífilis pode ser fatal.
O diagnóstico se dá por meio do exame de sangue e deve ser pedido no primeiro trimestre da gravidez. O recomendado é refazer o teste no 3º trimestre da gestação e repeti-lo logo antes do parto, já na maternidade. Quem não fez pré-natal, deve realizar o teste antes do parto. O maior problema da sífilis é que, na maioria das vezes, as mulheres não sentem nada e só vão descobrir a doença após o exame.